No Dia D da campanha "Julho Verde" a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço alerta que hábitos como fumar e beber multiplicam em até 20 vezes algum tipo de câncer. Durante todo o dia, profissionais da área e estudantes fizeram panfletagem na área central sobre os tumores malignos da cabeça e pescoço, os principais fatores de risco e como preveni-los.

Segundo o médico responsável pela campanha em Dourados, Rafael Susin, hoje é o Dia Mundial do Câncer de Cabeça e Pescoço, data na qual inúmeras entidades reúnem esforços para informar a população sobre os perigos das doenças malignas dessa região.

Para Rafael, é notório que hábitos de beber e fumar multiplicam em até 20 vezes o desenvolvimento de algum tipo de câncer de cabeça e pescoço, porém a infecção pelo papilomavírus (HPV) tem contribuído, nos últimos anos, com o aumento na incidência desta doença.

"A infecção pelo HPV é um importante fator para o desenvolvimento do câncer de faringe. Uma das formas de contágio é por meio da prática do sexo oral e em pessoas com múltiplos parceiros sexuais", explica o médico. Segundo ele, entre os sintomas preocupantes, estão nódulo persistente no pescoço, principalmente quando não desaparece espontaneamente em até 21 dias, é endurecido e cresce progressivamente, lesão na boca que não cicatriza espontaneamente em até 21 dias, e rouquidão por mais de três semanas, em especial, em fumantes e consumidores frequentes de bebidas alcoólicas.

"Esses sintomas servem de alerta para a procura com urgência de um médico cirurgião de cabeça e pescoço, já que podem ser indicativos da doença", alerta, observando que o diagnóstico precoce e o rápido início do tratamento são fundamentais para a cura.

Segundo Susin, estudos epidemiológicos demonstram que a infecção pelo HPV já é a principal responsável pelo crescimento de tumores na região da faringe nos Estados Unidos. O que é ainda mais preocupante é que atinge preferencialmente indivíduos jovens (menores que 45 anos) sem exposição ao cigarro e álcool.

Atualmente, a análise dos pacientes tratados no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, revela taxas de cura superiores a 90%, em casos de câncer de laringe diagnosticados precocemente, contra 27% para pacientes diagnosticados em estágio avançado, ou seja, quando o tumor tem grandes proporções e/ou quando há a presença de linfonodos metastáticos no pescoço.

Segundo o levantamento do INCA, o câncer de boca, laringe e demais sítios é, hoje, o segundo mais frequente entre os homens, atrás somente do câncer de próstata, com mais de 18 mil casos diagnosticados anualmente no Brasil. Nas mulheres, prepondera o câncer da tireoide, sendo o quinto mais comum entre elas.

 

Fonte: O Progresso